sexta-feira, 6 de junho de 2008

VOU ANDANDO POR AÍ


Depois de um tempo muito preso ao real e material, regresso ao pulsar da veia, e a um velho projecto visual. Estou de volta à realidade virtual com uma ideia conceptual ou um conceito ideológico. Bananas Continental no boletim metereológico.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

DOUTOR EM DEMOLIÇÕES


É o título do 13º livro de Poesia de Fernando grade, ilustre poeta português, do qual vos deixo uma, em sua homenagem.



O FIM É O COMEÇO

Tudo o que forte foi foi por excesso,
quais doentes com olhos de lobo persa
ou raro bolo ou flecha manchado de gesso.
Um corpo branco de serpente lambeu as próprias veias
e dorme em paz agora: o fim é o começo.

Quinta dos Ingleses- 15 de Agosto de 1984


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

LENGA



As orelhas do macaco vibraram involuntariamente
Ao que nos disse, com uma sabedoria ancestral:

Vejo o futuro num alguidar.

Se derem a um macaco
pernas para andar
ele conhecerá o sabor quente do progresso,
o poder escondido, obsceno.
Guardadas as janelas
Abertas as gavetas do saber
Conhece o prazer
O colete da noiva


Gulbenkian, 2001



sábado, 26 de janeiro de 2008

SÓ POR EXISTIR


Ontem fui ver o Jorge Palma ao Seixal, no mesmo sítio onde o vi há uns 10 anos. Antes com o Flak (Rádio Macau), agora com o Vicente (filho).

Não há volta a dar. O Palma é uma figura incontornável do panorama musical português e um marco na história da música. Arrisco-me a dizer que é dos intérpretes mais humanos que conheço, pois convive, assume e aceita o erro como parte da sua condição de homem. Já para nem falar dos poemas ou da sua versatilidade piano/guitarra.

Julgo que finalmente agora está a ser reconhecido o seu valor, quando os jovens de 12 anos não ouvem outra coisa em casa, e os pais ouvem e dizem, espera aí, eu conheço esse gajo, e voltam a ouvir, desta vez com mais atenção, e gostam.


A música dele vem da alma. Bem de dentro.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

сестра


Devido a uma interpretação incorrecta de um post anterior, cá fica a homenagem devida em ambiente blog.



Maninha querida do coração
escuta agora com atenção
a rima forte do teu irmão

O calhambeque do lençol
o passeio lento do caracol
o teatro com dedos dos pés

Os baloiços do jardim
os almoços de negócios
o bacalhau à braz com salada
os relatos da última caçada

As incursões à casa Serafim
os pozinhos de perlimpimpim
o porco do tio americano
é nisto que pensa o teu mano, ai
e no sofá o intrigante cagado do pai

Nas disputas pelos panos
lá rebolavam os manos
batendo panelas
partindo janelas
caçando leões
pegando fogo aos fogões

E no Natal esperando a prenda…
(e sabes que mais)
já não quero que a mãe te venda.


Teu mano




quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

SINZIG


Ontem fiz 10 km de bicicleta ao longo do rio Ahr. Hoje fiz mais 15 ao longo do rio Reno. Também abracei árvores na margem do Ahr. Eram antigas e nodosas. Toda a paisagem é muito bela e bucólica, e convida tanto à reflexao como ao exercício. As casas sao lindas. Tenho visto muitas, por dentro e por fora. Cresce o meu gosto pela arquitectura, pela família, pelos meus filhos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

AQUELE QUE DEFRONTARÁ OS MAIS FORTES


Hoje estou com pica. E como amanhã começa a minha licença parental, deixo aqui um poema dedicado ao meu filho mais novo.


Meu filho novo tu és
o mais belo dos presentes
tão formosos os teus pés
ansioso por ter dentes

P´ra trincar a costoleta
como fez o teu irmão
alimenta-te da teta
até pores os pés no chão

Depois corre como o vento
salta montes e barreiras
para teu grande talento
não conhecerás fronteiras.

12/9/2007